quinta-feira, 31 de agosto de 2017

AINDA ESTOU AQUI

Desequilibra-se na proa,
O barco balança em dança
Quebrando as ondas e sons.
E o silêncio permanece
Num grito infinito
Nas águas sem fundo
Do mundo dos que
Não querem ouvir.

Existe um pouco de mar
Em cada garrafa de conhaque.
E um mar de soluço
Em meu terno amarrotado.
Sou simples súdito
Subserviente dócil.
Na magnitude solitária
Do meu próprio barco.

Mas trago papel.
Trago caneta, irmãos.
E vez ou outra uma estrela
Embriagada por um astro etílico,
Sopra de leve, lá do alto.
Alguns versos do acaso,
Que faz estupidamente parecer,
A minha pobre razão de existir.


DESCULPE DESCORDAR DO SEU GLAMOUR DO FRIO

Em algum lugar
O frio conserva
A tristeza no olhar.

Faz soar uma
Melodia triste
No vapor condensado
Das bocas que já
Não podem gritar.

Um rosto triste,
Parte-se no frio.
Um frio triste,
Parte-se no rosto.

1,50
Para uma pinga.
Que renove a fé
De quem carrega
Uma cruz de gelo.

Calçada,
Cobertor,
Papelão.

Quantas poesias
Cabem
Na métrica
De cada buraco
Do meu coração?


quinta-feira, 12 de março de 2015

POEMA DE DUAS FACES

Para onde vai toda poesia
Quando de olhos fechados,
Você tenta segurar inutilmente
As lagrimas de uma vida sem cor.

Parti a poesia contra o vento
Se perder em outra face
Que sob Ipês de tantas cores,
Sorri versos pela cidade.

E os olhos que choravam em sonetos
Espanta-se com o silêncio cinza,
E a dor que a dor deixou de rimar.

Já tu, face sorridente, recebeste a poesia.
E a exibe em suas cores pelas avenidas
Poesia que até ontem namorava uma ferida.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

NÃO GRITE

Pare de gritar
Meu pensamento
Não é surdo.

Te ouço de onde durmo
Até mesmo,
Te ouço de onde fujo.

Teu sorriso fala alto
E eu aqui,
Autoflagelação...

Por isso, amor
Eu censuro
A angústia de pensar...

Não grite.
A chuva é fina
Mas é fria sua neblina.

Minha recusa em ouvi-la
Tragou tua voz
Pensei em pensar...

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

DOCE AMADA LUA


DOCE AMADA LUA

A minha doce amada lua,
Que no céu arranca-me suspiro
Pudera eu, um dia em meus versos,
Poetizar em meu peito o teu sorriso.

Quem dera eu fosse como poetas de outrora
Ter a exatidão dos versos precisos
E em um só gesto, escrevendo no escuro,
Trazer-te teu rosto junto aos meus escritos.

Amo-te mesmo nessa distância errante,
Um amor urgente ao desconhecido astro.
Amo-te antes mesmo de sentir tua face.
Amo-te aqui e, em qualquer parte.

Espero que entenda esse poeta inútil
Que hoje ousa escrever-te versos
É que andei tanto tempo sem lua
Que minha ânsia em tê-la é incurável.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

INSÔNIA, SONHO E FRIO


INSÔNIA, SONHO E FRIO

Para onde vão os sonhos que eu não tive,
Que se perdem na insônia amiúde.
Em que mar se afoga meus desejos,
Todos meus sonhos que não pude?

Será que vão dançar ao vento?
Sonhos que se dissolvem no tempo,
Sonhos de um desejo qualquer...
Sonhos de rima e de fé.

Assisto ao filme em preto e branco
No teto do quarto vazio.
Nele às lembranças se perdem...

Na fuga do sonho, surge o frio.
Às expectativas se rendem
Sem sono, sem sonho e com frio.